Meu poema preferido

LAMENTO MEARINENSE

Eu venho de longe, do sul do Maranhão,

Trazendo vida e fartura para toda região;

Fertilizo campos, abasteço várias cidades,

Amenizo a sede e a fome, supro necessidades.

Sou fonte de alimento, de lazer e diversão,

Oferto o sustento de toda população;

Sirvo de integração entre povos distantes,

Mas meu vigor não é mais como antes.

Meu leito não corre como outrora,

Minhas águas, aos poucos, vão embora;

Minhas matas já não me protegem mais;

Nelas o homem ateou fogo, fez roçados,

Capoeiras desérticas e pastos para animais.

Meus peixes foram para longe de mim,

Dizimados por uma cólera predatória;

Já não são encontrados com facilidade,

Por que sou vítima de tanta maldade?

Sou natureza, não dependo de ninguém;

Sem o homem, seria mais vivo e robusto.

Mas acabem comigo, com atitudes insanas,

Quero vê-los sucumbir, oh! Seres sacanas!

Como pode o homem dizer que é racional,

Fazer discursos bonitos, dizer que é lógico,

Se sem respeito comete contra mim

Terríveis crimes ecológicos?

A perseguição é tamanha; maior é a sanha,

Que até a Mãe D’água foi embora também;

Não irei suportar toda essa ingratidão,

Daqui a pouco ficarei sozinho, sem ninguém!

Sobreviver assim, sem amor, é um desafio;

Meus meandros assoreados, meu pudor ferido,

É tanta poluição, destruição sem remorsos;

Só queria ser protegido, e não ser combatido!

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 2017. Adenildo Bezerra. Todos os direitos autorais reservados. 

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