ARARI: perfil histórico e aspectos geográficos gerais



O município de Arari, localizado no estado do Maranhão, originou-se do município de Vitória do Mearim. Sua emancipação política se deu em 27 de junho de 1864. Seu primeiro administrador foi o tenente-coronel José Antônio Fernandes, que era o presidente da câmara de vereadores. Devido tal cargo o tenente-coronel teve o privilégio de ser o primeiro administrador do município de Arari. “José Antônio Fernandes, que residia em Arari, é presidente da Câmara Municipal da Vila do Mearim e, nessa condição, primeiro mandatário do município, além de juiz de paz em Arari” (BATALHA, 2011, p. 86). A primeira eleição municipal em Arari aconteceu em 7 de setembro de 1864.

“O curado de Arari foi fundado em 1723 pelo Pe. José da Cunha D'éça”, foi o que, categoricamente, afirmou César Augusto Marques, em seu secular “Dicionário Histórico-Geográfico da Província do Maranhão”. “Não se equivocou, pois, o eminente historiador e geógrafo César Augusto Marques ao afirmar que o Arari foi fundado por José da Cunha D’Eça” (FERNANDES, 2008, p. 127). José Fernandes enfatiza ainda: “Pelo Visto, caso o pe. José da Cunha D’Éça não tivesse erigido uma igreja no antigo Sítio e estabelecido uma freguesia com terras, gado, curral e acessórios eclesiásticos doados por ele próprio, por certo não existiria, no local em que está hoje, a simpática cidade de Arari”. Jerônimo de Viveiros, renomado professor, diz, peremptoriamente, “José da Cunha D’Eça, o fundador do Arari, é uma das figuras mais curiosas da história colonial do Maranhão” (O Imparcial, edição de 26 de junho de 1955, apud em BRANDT E SILVA, 1985, p. 17).

Com base no exposto acima é, que, a meu ver, o fundador de Arari foi o lendário Padre José da Cunha D’Eça. Pois se o Padre da Cunha D'Eça não tivesse fundado a primeira Freguesia, será que Arari teria realmente surgido? Ainda nos albores do século XVIII, a Igreja possuía (e ainda possui) muita influência e detinha um poder notório na geopolítica mundial. Com a fundação dessa Freguesia pelo Pe. José da Cunha D'Eça, dotando-a com uma igreja, doando bois e curral, a povoação, naqueles idos, passou a vigorar com mais organização e com um líder constituído. Sabe-se que, um curato é uma povoação regida por um cura. E o nosso cura, no entanto, àquela época, era o Pe. José da Cunha D'éça. As pessoas influentes são reconhecidas, e o nosso padre-fundador, era influente e reconhecidamente prestigiado.

Arari localiza-se no estado do Maranhão na mesorregião Norte, dentro da microrregião da Baixada Maranhense. Limita-se com os municípios de Vitória do Mearim, Miranda do Norte, Viana, Anajatuba e Matões do Norte. Sua área territorial é de 1100 km2. Possui uma população total de 29.200 habitantes (IBGE, 2015) e uma densidade demográfica de 26,1 hab/km2, portanto, é um território bem povoado. O clima predominante é o tropical quente e úmido, com um período chuvoso e outro seco bem definidos. É o 47º município maranhense com melhor qualidade de vida, possuindo um IDH de 6, 465 (IBGE 2010). O comércio foi a atividade do setor terciário da economia que mais se desenvolveu nas últimas décadas, com destaque para a venda de medicamentos, confecções, peças e acessórios para motocicletas e de frutas e verduras (sacolões).

A sede do município conta, desde 2009, com uma torre de celular (Claro e TIM) e conta com disponibilidade de acesso à internet através da Oi velox; e acesso via rádio da sivnet, speednet, internet móvel, mesmo de velocidade ruim, dentre outras. As Lan Houses também contribuem com a inclusão digital dos ararienses, por elas vários cidadãos podem acessar a rede mundial de computadores.

“O nome Arari originou-se da região de Arari do Pará” (FERNANDES, 2008, p. 125). Provavelmente pessoas oriundas de uma região paraense chamada de Arari, onde há um Lago Arari, o Rio Arari, a cidade, Cachoeira do Arari, e outros topônimos com a denominação Arari migraram para estas bandas e batizaram estas terras com a denominação Arari. “Portanto, reitero dizendo que o nome de nosso município de Arari originou-se da região de Arari do Pará. Os que de lá vieram, e a história registra que foram muitos, incluindo Lourenço da Cruz Bogéa, aplicaram-lhe o mesmo nome. E a nossa terra Arari se chamou” (FERNANDES, 2008, p. 125). Etimologicamente, ara'ri significa arara pequena, e é uma palavra indígena.

O relevo arariense é plano. Grande parte do território torna-se uma planície alagadiça no período chuvoso, que vai de dezembro a junho. Logo, sua altitude é de 7 m em relação ao nível do mar. Suas áreas mais elevadas não são superiores a 50 m de altitude. A formação geológica do território é de origem sedimentar. O relevo Arariense, assim como o relevo dos demais municípios dos campos da Baixada Maranhense são de “formação geológica recente, tal processo teria ocorrido desde a era Paleozoica até a Cenozoica. A geologia classifica estas terras como bacias de sedimentos recentes, e na qual predominam, como de costume em terrenos dessa espécie, a areia e a argila” (LOPES, 1970, p. 120). Devido essa formação, em solo arariense existe gás natural, tal combustível fóssil foi encontrado pela PETROBRÁS, na década de 1960, no povoado Curral da Igreja.

Em Arari encontra-se uma variedade de belezas naturais. Entre as belezas naturais temos: o fenômeno da pororoca no rio Mearim, que banha o município; o Lago da Morte que fica localizado a 5 km da sede do município, e é na verdade uma grande planície que durante o período das chuvas fica inundada e durante o verão transforma-se em uma grande área plana que propicia lazer aos visitantes; os campos alagados, verdadeiros berçários naturais, e uma paisagem exuberante de se ver e contemplar. Os lagos perenes, mais de quarenta, que ampliam nosso potencial hídrico, além de serem piscosos, são belos. Aos quais destacam-se: Escondido, Peixe, Almas, Fumo, Pintos, Palmeiral, Capivara, Arari-Açú, Açutinga, Laguinho, etc.; e os igarapés, dentre eles o igarapé do Nema, que corta a sede do município; Igarapé do Arari; João de Matos, Garrote, próximo à foz do rio Mearim, Igarapé da Mãe Joana; etc.

O que Arari tem de melhor, sem dúvida, é a sua gente. Gente humilde, nobre, hospitaleira, divertida e festeira. Uma gente que adora cerveja. Oxalá se Arari não é uma das cidades que mais consomem cerveja no Estado do Maranhão. Considerada como "Atenas Maranhense", por ser um povo tradicionalmente culto. Grandes ararienses se destacaram e ainda se destacam no cenário cultural, literário, científico, musical, artístico, político e religioso Maranhão e Brasil afora. A nossa produção literária ainda é ativa. Aqui são lançados, em média, dois livros por ano. Nas artes plásticas e cênicas estamos sempre em destaque em âmbito estadual. O surf na pororoca e o festival da melancia colocaram Arari na mídia nacional e internacional. Em se tratando de festejos religiosos, o festejo de Nossa Senhora da Graça e o festejo de Bom Jesus dos Aflitos são um dos mais antigos e conhecidos do Maranhão.

Arari tem uma Academia de Letras, a Academia Arariense de Letras, Artes e Ciências - ALAC, instituição que tem o desígnio de zelar pela memória de seus patronos, ilustres ararienses do passado que contribuíram, e muito, com o crescimento desta terra alvissareira. Além disso, esta Agremiação do Saber terá em seu escopo prioritário a contribuição com a Educação do seu povo. Arari é um lugar onde a efervescência cultural é notável.



REFERÊNCIAS


BATALHA, João Francisco. Um Passeio Pela História de Arari. São Luís: Lithigraf, 2011.


BRANDT e SILVA. Assuntos Ararienses. Arari: Editora Notícias, 1985.


FERNANDES, José. Gente e Coisas da Minha Terra. São Luís: Lithograf, 2008.


LOPES, Raimundo. Uma Região Tropical. Rio de Janeiro. Editora Fon-Fon e Seleta. 1970.


MARQUES, César Augusto. Dicionário Histórico – Geográfico da Província do Maranhão. 3ª Ed. Rio de Janeiro. Editora Fon-Fon e Seleta. 1970 (Coleção São Luís).


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