O Povoado Aranha e a sua importância histórica


O povoado Aranha localiza-se a oeste do município de Arari, próximo ao limite com os municípios de Vitória do Mearim e Cajari, margem esquerda do rio Mearim, à jusante. Historicamente, a localidade possui importância devido às fazendas de engenho e prosperidade econômica que teve no passado, sobretudo no século XIX, quando a povoação recebia muitos visitantes e embarcações que singravam o Mearim, indo ou vindo da capital, São Luís, além da numerosa Família Maciel Aranha que fundou e habitou o lugar. O nome do povoado é devido à grande presença dessa Família abastada e influente na localidade.


Brandt e Silva, em seu trabalho dedicado à Família Fernandes, fala da origem do povoado Aranha, diz:


"O povoado “Aranha” recebeu esse nome de João Joaquim Maciel Aranha que ali residiu. O lugar teve alguma prosperidade, com engenho, escravaria e todas as características de uma propriedade rural daquela época. Foi visitada por pessoas da família, algumas delas de projeção na política, no jornalismo e na literatura. Entre esses poderíamos citar Temistocles Aranha, Graça Aranha e outros. Hoje o lugarejo está em decadência, não existindo ali nenhum descendente da família Aranha. Possui porém, uma capela de taipa dedicada a Nossa Senhora de Fátima, que é visitada uma ou duas vezes por ano, pelo vigário de Arari" (BRANDT E SILVA, 1997, p. 4 e 5).


Segundo BRANDT E SILVA (1997), o senhor João Joaquim Maciel Aranha, major da Guarda Nacional, era filho de português Inácio de Loiola Maciel Aranha. Casado com a senhora Josefa Joaquina de Morais e Silva, natural de Cantanhede. O casal teve uma prole numerosa composta por 16 filhos. Anualmente, vários casamentos eram realizados na capela do histórico lugar. Dentre os filhos do João Joaquim Maciel Aranha, destacaram-se Temistocles da Silva Maciel Aranha, professor, jornalista respeitado, Comendador, que era pai do conhecido escritor maranhense, membro da Academia Brasileira de Letras, Graça Aranha.


GRAÇA ARANHA


Filho de Maria da Glória da Graça e Temístocles da Silva Maciel Aranha, Graça Aranha nasceu em São Luís a 21 de julho de 1868. Transferiu-se para o Recife, onde formou-se em Direito, iniciando sua carreira na magistratura, assumindo o cargo de juiz no Espírito Santo. Viajou por diversos países, publicando na França o drama “Malazerte”. Já como escritor renomado, Graça Aranha teve forte presença na Semana de Arte Moderna de 1922, quando criticou de forma dura as instituições que tentavam manter regras estéticas com as quais a nova onda pretendia romper. Durante o evento, proferiu a palestra “A emoção estética na arte moderna”. Membro fundador da Academia Brasileira de Letras, teve violentos embates com a instituição, chegando a declarar que a sua criação tinha sido um erro. O confronto culminou, em 18 de outubro de 1924, com o desligamento do autor de Canaã da ABL, da qual se despediu com palavras não muito lisonjeiras: “A Academia Brasileira morreu para mim, como também não existe para o pensamento e para a vida atual do Brasil. Se fui incoerente aí entrando e permanecendo, separo-me da Academia pela coerência.”


Segundo consta na Revista da Academia Arariense-Vitoriense de Letras – AVL (2002, ANO 1, nº 3, p. 80 e 81), Graça Aranha visitava frequentemente o povoado Aranha, pois possuía estreitos laços familiares com a Família Maciel Aranha, uma vez que ele era neto do fundador do lugar João Joaquim Maciel Aranha, conforme escreveu BRANDT E SILVA em um de seus trabalhos sobre as Família Ararienses citado acima.

Na Revista da AVL está escrito:


"Formado (Graça Aranha), voltou à província natal, sendo nomeado para os cargos de Promotor Público de Guimarães e de Rosário, e de Juiz Municipal da então Vitória do Baixo Mearim, cargo este que assumiu e efetivamente exerceu, residindo nesta vila e se deslocando eventualmente para Arari, por quase todo o ano de 1888. Convivia, assim, com gente da região do Baixo Mearim, donde era originária sua família paterna, os Maciel Aranha. (REVISTA DA AVL, 2002, ano 1, nº 3)


Conforme levantamos em nossa pesquisa, o notável escritor Graça Aranha possuía uma estreita relação com o povoado Aranha, decerto, o eminente escritor visitava o povoado na sua infância e adolescência também, uma vez que seus avós paternos residiam no lugarejo. Acredito que esse deveras ter sido um dos critérios, ou o mais importante, para que Graça Aranha figurasse como patrono da Cadeira nº 15, da Academia Arariense-Vitoriense de Letras – AVL -, atualmente ocupada pelo magistrado e escritor vitoriense Ribamar Vaz.



TEMÍSTOCLES DA SILVA MACIEL ARANHA


Temístocles da Silva Maciel Aranha nasceu em um sítio (sítio Maracujá) na zona rural de São Luís, no dia o8 de agosto de 1837. Era filho do major João Joaquim Maciel Aranha e Dona Josefa Joaquina e Morias e Silva Aranha. Estudou no Liceu Maranhense entre os anos de 1850 a 1853. No ano de 1853, iniciou o curso de Engenharia Civil, no Rio de Janeiro, porém não concluiu devido aos problemas de saúde. No Rio de Janeiro, Temístocles tornou-se amigo do grande engenheiro André Rebouças, que foi o primeiro engenheiro negro do Brasil.


Em 1858, fundou o Colégio de São João Batista. Neste educandário além de diretor, era também professor de Português. Em 1861, Temístocles fundou o jornal “O Commercio”. Em 1863, fundou o jornal “O País”. No jornalismo, atuou, ainda, nos jornais “A Imprensa” e “O Publicador Maranhense”.


No Magistério, Temísticles Aranha atuou no Liceu Maranhense como professor de Geografia, Álgebra, Aritmética, Retórica, Geometria e Geometria Aplicada às Artes. Na política, assumiu, em 1869, o cargo de deputado provincial. Recebeu o título de nobreza de Comendador da Ordem da Rosa. Temístocles Aranha foi ainda membro da Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro de Lisboa e do Atheneu Maranhense, fundado em 1858.


Temístocles da Silva Maciel Aranha foi um abolicionista fervoroso. Segundo Jeronimo de Viveiros, em um de seus artigos ele escreveu:


"É a escravidão um funesto erro, concordo, é uma planta venenosa que cresceu no solo da Pátria, concordo ainda; e, finalmente uma mancha no pavilhão nacional. É justamente a minha opinião" (JORANAL A MANHÃ, de 29 de março de 1942).


O professor, jornalista, abolicionista e Comendador Temístocles da Silva Maciel Aranha faleceu aos 49 anos, ainda jovem, no dia 26 de abril de 1887. Sobre a sua morte, o político e escritor Gomes de Castro escreveu:


"Inteligência tão robusta, quanto esmeradamente cultivada, coração aberto a todos os afetos generosos, se bem que lutador ativo e esforçado, não conheceu as amarguras do ódio, e no leito do descaso eterno, banham-no as lágrimas, que a saudade ver-te de todos os olhos, e acompanham-no as preces de942 quantos os conheceram". (JORNAL A MANHÃ, de 29 de março de 1942)


A história de homens como Temístocles Aranha são verdadeiros exemplos de luta, trabalho e amor pela educação e pela sociedade. É mais um grande personagem ligado à nossa região que alcançou expressivo destaque. Temístocles não nasceu em Arari. Todavia, de acordo com o que pesquisamos, vinha periodicamente visitar o povoado Aranha, onde moravam os seus familiares. Era um home importante, de grande prestígio.


Com este trabalho, queremos mostrar a importância histórica do povoado Aranha. A numerosa Família Maciel Aranha, que deu nome à povoação, detinha um forte poderio econômico, social e político. A maioria dos seus membros eram pessoas influentes, formada por majores, coronéis capitães de Guarda Nacional; jornalistas e escritores de renome nacional. Hoje o Aranha é uma povoação em decadência.

REFERÊNCIAS


BRANDR E SILVA. FAMÍLIAS ARARIENSE – Os Fernandes. Arari-MA: Editora Notícias, 1997, p. 4 e 4.


JORNAL A MANHÃ (edição de 29 de março de 1942) – disponível na hemeroteca digital da Biblioteca Nacional.


MARQUES, Wilson. Blog o Estado. Disponível em: <https://www.blogsoestado.com/wilsonmarques/2018/06/16/graca-aranha-e-o-patrono-da-feira-do-livro-de-sao-luis-2018/> Acesso em: 23 de julho de 2018.


REVISTA DA AVL. Elogio de José Pereira da Graça Aranha. ANO 1, Nº 3, 2002, p. 80 e 81.


SOARES, Waléria de Jesus Barbosa. UMA HISTÓRIA DA MATEMÁTICA ESCOLAR NA CIDADE DE SÃO LUÍS DO SÉCULO XIX: LIVROS, AUTORES E INSTITUIÇÕES - Temístocles da Silva Maciel Aranha: um professor de matemática admirado por seus alunos. Tese de Doutorado. Universidade Estadual de Capinas, 2017, p. 193 – 198.

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