O povoado de Bonfim do Arari


O Oratório do Senhor do Bomfim*, como o povoado de Bonfim do Arari era conhecido outrora, está localizado ao norte do município, na margem direita do rio Mearim, a jusante. As coordenadas geográficas do lugar são: 3°23’56” de Latitude Sul e 44°47’58” de Longitude Oeste. A altitude do terreno varia entre 6m e 10m em relação ao nível do mar. Bonfim, juntamente com Barreiros, Aranha Maciel e outros, foi um dos primeiros Distritos do município de Arari.

Brandt e Silva, em seu livro “Assuntos Ararienses I, diz:


“Quando foi criado o município de Arari, em 1864, desta maneira ficaram fazendo parte, tanto do município como da Freguesia, a sede, Arari, os lugares “Barreiros”, Oratório do Senhor do Bomfim”, “Sitio”, “Curral da Igreja”, “Maciel Aranha”, “Tabocal”, “Vassoural”, “Carnaubal”, “Nova Austrália” (hoje é o povoado de Flecheiras)” (BRANDT E SILVA, 1985, p. 28).


Atualmente, não existem mais os povoados de Vassoural e Carnaubal que, outrora, foram povoações prósperas, margeavam, assim como o Bonfim, o Mearim. Alguns mapas do Estado do Maranhão ainda destacam a povoação de Carnaubal, devido ao grande movimento de pessoas e embarcações que aportavam na extinta localidade. O povoado de Vassoural era conhecido porque lá viveu um dos grandes políticos ararienses: Mateus Vieira, que era conhecido na região como “Mateus Vossa”, e possuía uma grande e rica fazenda e engenho no auspicioso lugar, à época.


Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE- “Pela lei estadual nº 269, de 31-12-1948, é criado o distrito de Bonfim do Arari e anexado ao município de Arari. Em divisão territorial datada de 1-VII-1960, o município é constituído de 2 distritos: Arari e Bonfim do Arari. Assim permanecendo em divisão territorial constituída”.


Nos albores do século XIX, padres da Ordem do Carmo erigiram o Oratório do Senhor do Bonfim, desse modo, o povoado cresceu em função e ao redor da Capela. O desenvolvimento do Bonfim ficou mais evidente quando as povoações de Curral de Igreja e Sítio começaram a declinar (BATALHA, 2002). Outro fator importante para o crescimento do povoado, foi a sua elevação à categoria de Vila, passando a chamar-se de Vila do Bonfim do Arari. A povoação, então, foi o segundo distrito de Arari, criado por força de Lei. Fato que já narramos acima, segundo informações do IBGE.


BATALHA (2002) nos diz que uma das famílias ararienses tradicionais do Bonfim é a Família Prazeres. Segundo esse autor, essa família foi responsável pelo desenvolvimento do lugar. Ainda de acordo com BATALHA, existia na localidade uma capela consagrada a Santo Antônio, cujo ato religioso celebrava-se no dia 13 de junho e era muito concorrido. A capela ficava de frente para o Mearim. O local já foi totalmente tragado pelo rio.


De acordo com BATALHA (2002), “No auge do seu desenvolvimento e em épocas diferentes, a Vila do Bonfim do Arari possuiu, além da área urbana, delimitada por lei municipal, os bairros do Tabuleiro, Central, Centralzinho e Trizidela. Currais com manga (manga era o local de travessia de gado pelo rio); currais de gado onde se praticavam vaquejadas, casa de comércio, uma grande loja de tecido, que pertenceu ao senhor Francisco Romão Lopes e atraia, inclusive, clientes de outros municípios”.


Ainda citando BATALHA, no lugar também existia uma padaria, que pertenceu ao senhor Hermínio Prazeres; uma farmácia, que pertencera ao senhor José Lopes Salgado, homem empreendedor e um influente político arariense. Sobre ele falaremos mais adiante. Em Arari, havia muitos engenhos. Muitos desses empreendimentos localizavam-se também no Bonfim. Grandes proprietários de terras, moradores do lugar, como Ivo Cândido Batalha, Mundico Batalha, Joaquim Costa e Patrocínio Lopes possuíam grandes engenhos de fabricação de açúcar.


Na povoação havia, ainda, pequenas industrias de beneficiamento da cera da carnaúba. Empreendimentos estes pertencentes aos senhores Donato Prazeres, Adão Silva e Antônio Pereira da Silva (BATALHA, 2002). O ciclo econômico da cera de carnaúba era bastante pujante na localidade, e isso trouxe pessoas do estado do Piauí, por exemplo, para o Bonfim a fim de explorarem e lucrarem com a extração da matéria-prima. Diga-se de passagem, que o estado do Piauí sempre foi um grande explorador e exportador de cera de carnaúba no Nordeste brasileiro.



ALGUNS DISTINTOS ARARIENSES QUE NASCERAM OU VIVERAM NO BONFIM DO ARARI



a) JOSÉ LOPES SALGADO


José Lopes Salgado nasceu no povoado Macacos, depois foi morar no Bonfim. Era microempresário, dono de farmácia na localidade e político bastante influente em Arari. Foi vereador e presidente da Câmara Municipal de Arari. Assumiu a Prefeitura Municipal no dia 31 de janeiro de 1956, ficou no cargo de prefeito até o dia 31 de janeiro de 1957. Era correligionário do Padre Clodomir Brandt e Silva. Salgado foi ainda vereador na cidade de Pio XII e também foi proprietário de uma grande farmácia lá.



b) MODESTO PRAZERES


Outro importante morador do Bonfim foi o senhor Modesto Prazeres. Ele era avô do ex-prefeito de Arari, Raimundo dos Mulunduns Prazeres, o popular Raimundo de Mário. Devido à grande influência da Família Prazeres na política local e por ser partidário do mandatário, Antônio Anísio Garcia, Modesto Prazeres, portanto, possuía considerável prestígio político em Arari, mesmo sem nunca ter exercido cargo público eletivo. Hoje, a escola municipal do povoado de Bonfim recebe o seu nome.



c) JOÃO FRANCISCO BATALHA


Dentre os filhos ilustres de Arari, nascidos no povoado de Bonfim, destacamos o escritor João Francisco Batalha. Batalha orgulhosamente é originário da Trizidela do Bonfim. Morou no povoado até os treze anos de idade, no entanto, ainda mantém forte elo com o povoado. João Francisco Batalha é membro de várias Academias de Letras no Maranhão, em outros estados do Brasil e no exterior. É o presidente da Federação das Academias de Letras do Maranhão (FALMA). Possui dezenas de livros publicados, sendo que a maioria das suas obras retratam a história e a vida de Arari.


No Oratório do Senhor do Bonfim nasceram muitas outras pessoas ilustres e de considerável prestígio. Destacamos: Gregorinho Prazeres, que foi vice-prefeito de Arari na década de 1960; Adrião Prazeres; Fausto Prazeres, que chegou a ser presidente da Caixa Econômica Federal; Donato Prazeres, grande criador de gado no povoado; Mundiquinho Batalha, que foi por três vezes eleito prefeito do município de Pio XII, dentre outros.


O Bonfim do Arari teve o seu apogeu social e econômico durante o ciclo da cera da carnaúba na região. Muitos empreendimentos para a produção e o beneficiamento da cera foram instalados na povoação. Com o advento da cera sintética, a indústria perdeu o interesse pela cera da carnaúba. Desse modo, houve uma certa decadência econômica no povoado. O lugar ainda realiza algumas tradições culturais, como a vaquejada. Grande parte do território já foi tomado pelo rio Mearim, o que obrigou seus moradores a recuarem para mais acima as suas residências.


Há no povoado uma escola de ensino fundamental, uma Unidade Básica de Saúde, um templo religioso católico e um protestante. A pesca é uma atividade econômica bastante desenvolvida, assim como a agricultura de subsistência e a pecuária. O acesso ao povoado dar-se por uma estrada vicinal. Decerto, hoje, o Bonfim do Arari é um dos povoados mais salubres da parte norte do território arariense.



REFERÊNCIAS


BATALHA, João Francisco. Família Prazeres. Arari-MA, 2002, p. 45 – 50.

BRANDT E SILVA. Assuntos Ararienses I. Ed. Notícias de Arari. Arari-MA, 1985.

IBGE. Arari. Disponível em: <https://cidades.ibge.gov.br/brasil/ma/arari/historico> Acesso em 04. Fev. 2019.

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