MUSICALIDADE ARARIENSE




Quando o assunto é musicalidade arariense, não podemos deixar de mencionar o notável José Gonçalves Martins. Tão notável, que a sua grande obra musical foi catalogada pelo Padre João Mohana, no seu fantástico livro "A Grande Música do Maranhão". Zé Martins, como era conhecido, ensinou a vários ararienses a arte musical. Ele formou bandas de música e tocava diversos instrumentos. É patrono da Cadeira nº 3, da Academia Arariense de Letras, Artes e Ciências – ALAC. No nosso livro “Arari – espaço e sociedade”, na página 85, fazemos referências ao nosso saudoso maestro.


Este artigo é dedicado à nossa MPA – Música Popular Arariense. E, indubitavelmente, um dos maiores nomes da nossa música, tão notável quanto o Maestro José Martins, foi Zezeca Perone. Um músico nato. Tocava e ensinava a tocar violão e guitarra, era sonoplasta da Prefeitura e contribuía com a Igreja Católica animando as missas com os seus belos acordes no violão. Era simples, autodidata e um cidadão íntegro e conhecedor da arte musical. Fundou os Azulões, grupo musical que foi uma sensação em Arari, juntamente com Nonato “Pelhinha” e Paulo Megerson, grande baterista (in memorian). O grupo "Os Azulões" contava com a participação dos cantores Pedro Terra, que, nessa época, ficou conhecido como Pedro dos Azulões, e Manoel Leão. O Super-homem, Zezeca Perone, deixou uma significativa contribuição à música arariense. Foi tão importante, que hoje existe em Arari um instituto para preservação de sua memória e divulgação da sua obra, denominado Instituto Perone, entidade da qual sou membro fundador. Zezeca é patrono da Cadeira nº 15 da ALAC, ocupada pelo Maestro Raimundo Cosme Filho (Bebê). Ao falar da música arariense, devemos falar deste eminente artista, que foi Perone.


Atualmente a nossa música está bem representada. Temos um músico, cantor e compositor de renome nacional. Refiro-me a Zeca Baleiro, grande nome da nossa MPB – Música Popular Brasileira. Autor de canções memoráveis como: Lenha, Samba do Approach, Pedra de Responsa, Telegrama, dentre outras. Por duas vezes presenteou, encantou e emocionou Arari com inesquecíveis shows em praças da nossa cidade. Zeca Baleiro nasceu em São Luís por força das circunstâncias, mas foi criado em Arari. Viveu durante vários anos no Torrão Arariense. Conhece a nossa história e a nossa gente como ninguém. Demonstrou isso em seus memoráveis artigos publicados no Jornal Academia, periódico da ALAC, na qual fora membro fundador, em 2012.


Em Arari existem vários artistas populares que vivem da música, seja interpretando canções de consagrados cantores brasileiros ou compondo músicas próprias. Dentre estes artistas destacam-se: Pedro Terra, que gravou alguns discos e fez bastante sucesso na região. Manoel Leão, um guerreiro, sempre na luta em prol da música. Mano Leão, nome artístico que ele adotou, gravou alguns discos com músicas autorais e de outros compositores. Para mim, Mano Leão é o nosso artista local mais emblemático e um dos que mais se identifica com o público arariense pela sua simplicidade e esforço. Merecem destaques, também, Marquinhos Nunes, Daniel do Arrocha, Doges, Toinha com a sua banda Alma Gêmea, Jow Sousa e a extinta Banda Aquarius.


Nos últimos anos, quem tem se destacado bastante, com apresentações até fora do país, é o cantor Sandro Oliver, que antes, nós, ararienses, o chamávamos de Sambinha (apelido dado a ele por causa do seu pai: Samba). É um artista completo. De uma voz inconfundível, eclético, que vem encantando e contagiando o público com a sua musicalidade. É o artista arariense mais requisitado e prestigiado do momento.


Neste artigo não pode faltar, de igual modo, o talentoso Robson Rubens. Que me perdoe todos os nossos artistas da música, mas, para mim, Robson Rubens é fantástico. Sem exageros. Robson é guitarrista, baixista, violonista. Possui uma bela voz, que consegue ser notável espontaneamente. É sempre um prazer ouvi-lo cantar. Atualmente, Robson Rubens se apresenta com a Banda Brandt e Silva, projeto musical do Colégio Arariense, comandada pelo competente Maestro Raimundo Cosme da Silva Filho.


Sobre a Banda Brandt e Silva, passo e me reportar agora. A banda foi idealizada pela diretoria do Colégio Arariense, em 2013, após a chegada do Maestro Cosme à escola. Composta por alunos e músicos profissionais, a banda é simplesmente espetacular. Uma prova de que a mescla entre novos talentos e músicos experientes, dá certo. Uma grande sacada do destacado maestro. O grupo vem fazendo belíssimas apresentações, sempre surpreendendo o público com um repertório de primeira qualidade. Alguns importantes músicos locais compõem a banda: Márcio Sales, um saxofonista dos bons; Edson, percussionista e baterista; Brabo, trompetista consagrado; Marcos Bento, além de Robson Rubens, já destacado acima.


Em Arari, temos bons compositores como: Tony Ribeiro, que teve uma música gravada pelo cantor Lairton. Manoel Gama (Samba); Elismar Cruz, que adotou o nome artístico de Ely Cruz e já gravou alguns discos, com a maioria das músicas autorais e de compositores da terra como Nhém, Samara Volpony e José Maria Costa.


Além destes supracitados, outros ararienses se destacam tocando instrumentos de sopro, podemos citar: Seu Durval (in memoriam). Raimundo Cosme (Bebê), 3º Sargento reformado do Exército Brasileiro, maestro e professor. Ocupante da cadeira nº 15 da ALAC. Cita-se, ainda, Dudé, Edson Maia, Adenilton Bezerra, André Batalha, Sidenilson Santos, professor de música do projeto de educação musical "Sons e Acordes". Sidinho, como é conhecido, também é poeta e possui livros publicados; Éliton Silva (Litinho), André Batalha, Manoel Costa, o Mano do Sax, Cleudivan de Jesus, entre outros. Todos estes aprenderam o ofício nas egrégias Escolas de Música do Município e na Escola de Música Carlos Gomes, fundada e mantida pelo saudoso Pe. Brandt. A escola de música do Padre foi reativada pelo Colégio Arariense, e hoje chama-se Escola da Música Professor Raimundo Cosme da Silva Filho, homenagem que a escola prestou ao Bebê.


Menciona-se aqui outros notáveis como o Senhor Monção, que foi professor de música na Escola de Música Carlos Gomes. O nome do saudoso Seu Monção recentemente foi escolhido para ser Patrono da Cadeira nº 16, de sócio correspondente da ALAC; Raimundo Gonçalves Martins, pai do Maestro José Martins e Seu Bina (todos in memoriam). Refiro-me agora a Carlos Marins, Seu Carrinho, filho do Maestro Gonçalves Martins, professor respeitado e músico renomado. É acadêmico da ALAC, fez adaptações na música do Hino de Arari para favorecer o canto, segundo ele. Quando o assunto é música, Arari tem vários nomes, que, certamente, não serão citados neste texto. Não por omissão, mas pela quantidade. São muitos.


Muitos ararienses, músicos, estão a difundir a sua arte pelo Maranhão e Brasil afora. Nas bandas da Polícia Militar e do Exército há muitos integrantes de Arari. Citamos: Domingos Sávio (Dudu), que conseguiu destaque conduzindo orquestras em importantes apresentações. Domingos Sávio, sem dúvida, é um dos nossos grandes maestros da atualidade. Ele comanda com competência e desenvoltura bandas de música do Exército. Werbeth Corrêa (Beto) durante muito tempo serviu à banda de música do exército, hoje ele é policial rodoviário federal aposentado. Beto Corrêa foi formado pelo Maestro Gonçalves Marins. Além de ser um músico dedicado, é um cidadão ilibado, inteligente e disciplinado, haja vista que passou vários anos servindo as Forças Armadas. Mesmo reformado, a arte da música continua com ele.


Em outras épocas, quando os bailes, sobretudo os bailes de São Gonçalo, eram frequentes em Arari, tivemos rabequeiros e violeiros de destaque. Cita-se, por exemplo: o Sr. Camilo Cordeiro e o Sr. Adolfo Brito (ambos in memoriam). Hoje há vários ararienses que vivem a dedilhar no violão e dele tiram belos acordes. Pode-se citar Wascley Araújo e Roberth Francklin, por exemplo.


Bem, é óbvio que ficaram nomes importantes de fora deste artigo, mas o nosso intento aqui é mostrar o quanto a nossa música é diversa e proeminente. Não tenho dúvidas que, futuramente, novos nomes irão surgir. No município temos bons projetos de educação musical, que estão incentivando e revelando talentos. Um destes projetos é o “Sons e Acordes”, que é desenvolvido pela Secretaria Municipal de Educação, com recursos do Fundo da Infância e Adolescência (FIA). A reativação da banda de música municipal também contribuirá significativamente com o futuro da nossa música.

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