GERAL

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SINGRANDO O NEMA, RUMO AO LAGO DA MORTE

Na manhã de domingo do dia 24 de abril de 2016, fizemos um épico passeio, de canoa, pelo Igarapé do Nema, indo até o lendário e exuberante Lago da Morte. No passeio, fui acompanhado pelo eminente escritor João Francisco Batalha, sua esposa, a encantadora Celeste Batalha; e Marinaldo Chaves, que nos conduziu em sua canoa, impulsionada por um motor de rabeta.

Às 6h30min daquela ensolarada manhã, partimos do porto em frente à Igreja Matriz. Singramos o pequeno trecho do Mearim, adentramos o Nema, que, naquele período, corria bastante. No porto próximo ao antigo Matadouro, o nosso guia, Marinaldo, achou por bem trocarmos de canoa. Pois, segundo ele, o igarapé corria demais e seria necessário embarcarmos em uma canoa maior para fazermos o trajeto até o Lago da Morte em segurança. Foi uma decisão acertada e prudente. Poucos metros após deixarmos o porto onde mudamos de canoa, houve um imprevisto, na verdade um grande susto. Devido às fortes corredeiras do Nena, Marinaldo perdeu o controle da embarcação, e esta foi em direção à vegetação marginal. João Batalha, que encontrava-se sentado à frente da canoa, foi jogado contra a densa vegetação, e a canoa por pouco não virou. João, demonstrando destreza, jogou o corpo para trás, deitou no fundo da embarcação. Foi um grande susto. Mas ficou tudo bem.

Após o incidente, Marinaldo, sentindo-se culpado, desculpou-se e disse que ia seguir bem devagar para evitar outros contratempos. O certo é que o ocorrido rendeu longas gargalhadas depois que passou [risos]. Continuamos o passeio. João Batalha e eu não deixamos de fotografar nada: as habitações ribeirinhas, a mata ciliar, os plantios à beira do igarapé, pássaros, as embarcações transeuntes, os jiraus de talos confeccionados pelos pescadores, cachos de titara e marajá... Todos nós, sobretudo João Batalha, Dona Celeste e eu, estávamos extasiados em refazer aquele percurso, no período das cheias, até o Lago da Morte, singrando o prestimoso Igarapé do Nema.

Após 30 minutos de viagem pelo Nema, descortina-se, aos nossos olhos, o belo Lago da Morte. Cheio. Esplendoroso. Um verdadeiro berçário de aves piscívoras. Não economizamos nas fotos. Fomos até uma residência de uma família amiga que mora em uma pequena piçarreira no Lago. Aportamos. Conversamos com os moradores. Apreciamos a vista maravilhosa. Tiramos fotos e, em seguida, nos despedimos e continuamos o passeio.

Ao longe, avistamos um pequeno rancho de pescadores. Fomos conferir se haviam pescado algo. Infelizmente, nada ainda. Às 9h30min, voltamos para o Nema para retornarmos a Arari. Na volta, paramos para pegar uns viçosos cachos de titara. Degustamos vários caroços do endêmico e saboroso fruto. Tudo nos levava de volta ao passado, à infância-adolescência. E cada coisa que víamos rendia uma bela história. As lembranças vinham à tona com facilidade. Foi mais que um passeio, foi um resgate histórico. Resgate de um tempo em que vivíamos no Nema, tirando dele o nosso sustento. Outrora, fazíamos o trajeto Nena-Lago da Morte várias vezes por semana. O Nema e o Lago da Morte sempre foram imanentes às nossas vidas. E sempre serão. Reviver foi bom demais. 

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 2017. Adenildo Bezerra. Todos os direitos autorais reservados. 

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